Há muito quero escrever. Mas as idéias vêm com tanta intensidade, que me perco, e o final do dia saem poucas linhas. Tentarei ir até o fim agora.
Assisti ao filme pela 2ª vez. Prometi a mim mesma que não iria chorar. E assim foi. Ri bastante, me concentrei nas frases. E depois, passei quase duas horas pensando sobre a vida de nós mulheres.
O filme conta a história de Mercedes, uma mulher madura que está a procura da felicidade, e, portanto, procura um analista. Afinal, será que devemos procurar analistas, médicos, nutricionistas, personal trainers para encontrarmos um fundamento para nossa carência?
Acredito que toda mulher deve, um dia, conhecer o “DIVÔ. É uma das melhores descobertas. Não pensem que falar para as paredes enquanto um estranho escuta calado não leva a nada. Leva a muita coisa. Eu, por exemplo, me sinto a própria Clarice Lispector nos meus 40 minutos semanais de “DIVÔ.
Além de me decifrar, eu me devoro a cada sessão. Eu descobri que dentro de cada mulher, existem várias mulheres, homens, animais, plantas... Enfim, todo analista faz uma terapia em grupo com a mesma mulher!
E nestes 40 minutos, eu viajo, faço analogias, metáforas... Cito meus autores favoritos, frases que marcaram minha infância. E assim, vou me devorando.
E foi justamente no “DIVÔ, eu aprendi que não existe uma pessoa certa, ou um momento certo para sermos felizes. A felicidade não depende de ninguém. Não existe o ditado que “você pode ser o mundo de alguém”.
Aprendi a ser feliz sozinha. Isso não é auto-suficiência, mas sim auto-confiança, auto-conhecimento... Não há nada melhor que sermos uma boa companhia nos momentos de solidão. Ler um livro numa sexta a noite, passear por um parque florido no sábado, cozinhar sozinha uma sopinha numa quarta feita chuvosa, deitar numa cama sozinha quentinha e colocar uma música clássica bem baixinha. Existem pequenos prazeres que devem ser praticados. E a sós!!!
A sensibilidade surge na solidão. E não há nada de mal em estar sozinha. É apenas uma circunstância passageira. Toda mulher dele ter seu momento sozinha para saber do que gosta, do que sente, do que quer. É preciso se preparar, para depois encontrar um “amor”.
Conheço uma mulher que teve uma grande oportunidade (não seria de bom tom dizer o nome dela. E eu sei que ela lerá esse texto e saberá que é dedicado a ela). Pois bem. Ela passou 24 anos solteira, morando com os pais. Nesse tempo, ela estudou, fez faculdade. Aos 24 anos, ela casou. Viveu ao lado do marido durante 24 anos. Nesse tempo todo, ela nunca teve tempo para ELA MESMA. Hoje, separada, ela curte bons momentos a sós. Agora é a grande oportunidade para ela se conhecer. Depois desse período, (que pode ser curto ou longo, depende de cada mulher), ela estará pronta para encontrar uma pessoa que queira compartilhar a vida.
O amor só existe quando nos amamos. Quando nos valorizamos. Quem ama, não abre mão. Quem ama não cede. Quem ama, aceita e partilha.
As mulheres mais interessantes que eu conheço já sofreram muito (e elas acharam que foi por amor). Após um período de solidão, elas se tornaram fortes, determinadas e corajosas. E sabe o que mais? Elas sempre dizem: “Nunca mais sofrerei por amos”. Isso é óbvio.
Não podemos trancar nossos sentimentos, desejos, sonhos e planos para viver o sonho de alguém. A mulher é caleidoscópica.
Por isso é necessário que toda mulher deite no “DIVÔ e se descubra gigante. Tão gigante que homem nenhum jamais conseguirá faze-la sofrer.
Se há o direito ao grito: grite! Faça um buraco e deixe que o mundo te veja. Saiba dizer “não” e “sim”. Apaixone-se por você mesma... enlou-cresça!
Porque não há nada melhor que uma mulher madura, segura e auto-confiante, capaz de decifrar até mesmo o grande poeta Vinícius de Moraes: “COITADO DO HOMEM QUE CAI NO CANTO DE OSSANHA TRAIDOR. COITADO DO HOMEM QUE VAI ATRÁ DE MANDINGA DE AMOR!”.
Feliz da mulher que apaixona-se por si mesma!!!!

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